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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Teologia Unilateral — Calvinismo e Arminianismo - C. H. Mackintosh


Recebemos recentemente uma longa carta trazendo uma prova muito clara do efeito desconcertante da teologia unilateral. O nosso correspondente está, evidentemente, sob a influência daquilo que é denominado alta teologia ou teologia calvinista. Por isso ele não consegue enxergar a razão de se convidar o não convertido para “vir”, “ouvir”, “arrepender-se” ou “crer”. Para ele é como ordenar a um marmeleiro que produza algumas maçãs para se tornar macieira.

Ora, acreditamos totalmente que a fé é dom de Deus e que não está sujeita à vontade do homem ou ao poder humano. Além disso, cremos que nenhuma alma jamais iria a Cristo se não fosse atraída a Ele, sim, compelida pela graça divina para que assim o fizesse. Portanto, todos os que são salvos devem agradecer pela graça livre e soberana de Deus por isso, e sua canção é, e sempre será, “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” (Sl 115:1).

Cremos nisso, não como parte de algum sistema de doutrina, mas como a verdade revelada de Deus. Por outro lado, acreditamos tão completamente, na verdade solene da responsabilidade moral do homem, na medida em que é claramente ensinada nas Escrituras, embora não a encontremos entre os chamados “cinco pontos da fé dos eleitos de Deus”. Acreditamos nestes cinco pontos, mas só até onde eles alcançam, todavia eles estão muito longe de conter a fé dos eleitos de Deus. Existem amplos campos de revelação divina que esse sistema atrofiado e unilateral não aborda e nem remotamente sugere. Onde encontramos o chamado celestial? Onde a gloriosa verdade da Igreja como o corpo e a noiva de Cristo? Onde a preciosa esperança santificadora da vinda de Cristo para receber Seu povo para si mesmo? Onde temos, naquilo que é tão pomposamente denominado “a fé dos eleitos de Deus”, o grande escopo da profecia que abriu a visão de nossas almas? Buscamos por um traço sequer dessas coisas em todo o sistema ao qual nosso amigo está ligado, porém em vão.

Será que poderíamos, ainda que por um momento, supor que o abençoado apóstolo Paulo aceitaria como “a fé dos eleitos de Deus” um sistema que deixa de lado esse glorioso mistério da Igreja da qual ele foi especialmente designado como ministro? Suponha que alguém tivesse mostrado a Paulo “os cinco pontos”do calvinismo, como sendo uma afirmação da verdade de Deus. O que ele teria dito? “O quê?! ‘Toda a verdade de Deus’? ‘A fé dos eleitos de Deus’? ‘Tudo o que é essencial para ser crido’? E ainda assim nenhuma sílaba sequer sobre a posição real da Igreja — sua vocação, sua posição, suas esperanças, seus privilégios?! Nenhuma palavra sobre o futuro de Israel?! Uma total ignorância ou, na melhor das hipóteses, uma alienação completa, das promessas feitas a Abraão, Isaque, Jacó e Davi?! Todo o corpo de ensinamentos proféticos submetidos a um sistema falsamente chamado de espiritualização, por meio do qual Israel é roubado da parcela que lhe cabe, e os cristãos arrastados para um nível terreno — e isso apresentado a nós com a pretensão de ser ‘A fé dos eleitos de Deus’?!”

Mas graças a Deus não é assim. Deus, bendito seja o Seu nome, não Se prendeu aos estreitos limites de alguma escola de doutrina, seja ela alta [calvinista], baixa [arminiana] ou moderada. Deus Se revelou. Ele expôs os profundos e preciosos segredos de Seu coração. Ele descortinou Seus conselhos eternos relativos à Igreja, a Israel, aos gentios e à criação como um todo. Os homens podem tentar confinar o oceano em baldes que eles próprios inventaram, do mesmo modo como tentam confinar o vasto espectro da revelação divina dentro dos frágeis recipientes dos sistemas humanos de doutrina. É impossível fazê-lo e jamais deveria ser tentado. O melhor é deixar de lado os sistemas e escolas de divindade e aproximar-se como uma criança da eterna fonte das Sagradas Escrituras, e ali beber dos ensinos vivos do Espírito de Deus.

Nada é mais prejudicial à verdade de Deus, mais estéril para a alma, ou mais subversivo para qualquer crescimento e progresso espiritual do que a mera teologia, seja ela alta ou baixa — calvinista ou arminiana. É impossível que alguém progrida além dos limites do sistema ao qual está ligado. Se sou instruído nos “cinco pontos” como sendo “a fé dos eleitos de Deus”, não poderei sequer pensar em buscar algo além disso, desaparecendo assim de meu campo de visão o mais glorioso campo de verdade celestial. Fico atrofiado, estreito, parcial, e corro o risco de cair naquele estado de espírito estéril e pedregoso que acaba me deixando ocupado com meros pontos doutrinários ao invés de ocupar-me com Cristo. Um discípulo da alta escola de doutrina, ou calvinista, não ouvirá falar de um evangelho anunciado a todo o mundo —do amor de Deus para o mundo — das boas novas para cada criatura sob os céus. Tudo o que terá é um evangelho para os eleitos. Por outro lado, um discípulo da baixa escola, ou arminiana, não escutará da segurança eterna do povo de Deus. Sua salvação dependerá em parte de Cristo e em parte de si mesmo. De acordo com esse sistema doutrinário, a canção dos redimidos deveria ser alterada. Ao invés de dizer apenas “Digno é o Cordeiro” seríamos obrigados a acrescentar “...e dignos somos nós”. Poderíamos estar salvos hoje, porém perdidos amanhã. Tudo isso desonra a Deus e priva o cristão de qualquer paz verdadeira.

Não escrevemos isto com a intenção de ofender o leitor, longe de nós tal pensamento. Não estamos falando de pessoas, mas de escolas de doutrina e sistemas de divindade, os quais gostaríamos sinceramente de exortar nossos amados santos a abandonarem de uma vez para sempre. Nenhum deles contém a completa verdade de Deus. Existem certos elementos de verdade em todos eles, mas a verdade geralmente está neutralizada pelo erro, e mesmo que encontrássemos um sistema que não apresentasse nada além da verdade, ainda assim ele não conteria toda a verdade. O efeito desses sistemas sobre a alma é o mais pernicioso possível, pois leva as pessoas a se gabarem de possuírem a verdade de Deus, quando na verdade possuem apenas um sistema humano parcial.

Então, volto a dizer, raramente encontramos um mero discípulo de qualquer escola de doutrina que possa encarar as Escrituras como um todo. Textos favoritos serão citados e continuamente reiterados, mas um grande corpo das Escrituras será deixado de lado como quase que totalmente impróprio. Por exemplo, tome passagens como as seguintes: “Agora, porém, [Deus] notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30). E mais uma vez: “[Deus] deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2:4). Assim também, em 2 Pedro, “O Senhor... é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” (2 Pedro 3:9). E bem no final da Bíblia, lemos: “ e quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Apocalipse 22:17).

Devemos considerar estas passagens pelo que elas são? Ou devemos introduzir palavras qualificadoras ou modificadoras para torná-las adequadas ao nosso sistema? O fato é que elas estabelecem a grandeza do coração de Deus, as atividades graciosas de Sua natureza, o amplo espectro de Seu amor. Não está em conformidade com o coração amoroso de Deus que qualquer de Suas criaturas deva perecer. Não há, nas Escrituras, qualquer coisa que se assemelhe a um decreto de Deus consignando certo número da raça humana para a condenação eterna. Alguns podem ser entregues judicialmente à cegueira devido à rejeição deliberada da luz. (Ver Romanos 9:17; Hebreus 6:4-6; 10:26-27; 2 Tessalonicenses 2:11-12; 1 Pedro 2:8.), mas todos os que perecerem só poderão culpar a si mesmos. Todos os que chegarem ao céu terão de agradecer a Deus.

Se quisermos ser ensinados pelas Escrituras, devemos acreditar que todo homem é responsável segundo a luz que possui. O gentio é responsável em dar ouvidos à voz da Criação. O judeu é responsável no terreno da lei. A cristandade é responsável sobre o fundamento da revelação completa que está contida em toda a Palavra de Deus. Se Deus ordena a todos os homens, em todos os lugares que se arrependam, ele quer dizer exatamente o que diz. Ou será que estaria dizendo isso apenas aos eleitos? Que direito temos nós de acrescentar ou alterar, reduzir ou acomodar a Palavra de Deus? Nenhum sequer. Encaremos as Escrituras tal como são, e rejeitemos tudo o que não passar no teste. Podemos muito bem questionar a solidez de um sistema que não possa atender a toda a força da Palavra de Deus como um todo. Se algumas passagens das Escrituras parecem conflitar entre si, é só por causa da nossa ignorância. Sejamos humildes nisso e aguardemos mais em Deus para termos mais luz. Podemos agir assim, e este será um lugar moralmente seguro para ocuparmos. Ao invés de nos esforçarmos em reconciliar discrepâncias, curvemo-nos aos pés do Mestre e justifiquemo-Lo em todas as Suas palavras. Assim colheremos uma colheita de benção e cresceremos no conhecimento de Deus e de Sua palavra como um todo.

Alguns dias depois, um amigo colocou em nossas mãos um sermão recentemente pregado por um clérigo eminente pertencente à escola de doutrina calvinista. Encontramos nesse sermão, tanto quanto na carta do nosso correspondente norte-americano, os efeitos da teologia unilateral. Por exemplo, ao se referir a essa magnífica declaração de João Batista em João 1:29 — “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” — o pregador a citou assim: “O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo inteiro do povo escolhido de Deus”. Leitor, pense nisso: “O mundo do povo escolhido de Deus!” Não há uma palavra sequer sobre povo na passagem. Ela se à grande obra propiciatória de Cristo, em virtude da qual todo traço de pecado ainda será obliterado da ampla criação de Deus. Só veremos a plena aplicação daquela escritura abençoada nos novos céus e na nova terra em que habita a justiça. Limitar-se ao pecado dos eleitos de Deus só pode ser visto como fruto desse viés teológico. Não existe nas Escrituras tal expressão como “Tirar o pecado dos eleitos de Deus”. Sempre que é feita menção ao povo de Deus temos os pecados sendo levados — a propiciação pelos nossos pecados — o perdão dos pecados. As Escrituras nunca confundem essas coisas, e nada pode ser mais importante para nossas almas do que sermos ensinados exclusivamente pelas próprias Escrituras, e não pelos dogmas deformados, amassados e murchos de uma teologia unilateral.

Às vezes, ouvimos João 1:29 citado, ou melhor, deturpado por discípulos da baixa escola de doutrina, ou arminiana, desta maneira, “O Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”. Se assim fosse, ninguém poderia se perder. Tal declaração proporcionaria uma base para a terrível heresia da salvação universal. O mesmo pode ser dito sobre a má tradução de 1 João 2:2, “pelos pecados do mundo inteiro”. Esta não é a tradução correta, mas uma doutrina fatalmente falsa que não duvidamos que nossos tradutores tenham repudiado tão fortemente quanto qualquer outra.* Sempre que ocorre a palavra “pecados”, refere-se a pessoas. Cristo é a propiciação para o mundo inteiro, mas o Substituto apenas para o Seu povo. — Traduzido de "One-sided Theology - Calvinism and Arminianism" - C. H. Mackintosh.


*[N. do T.: No original a segunda parte do versículo não fala de “pecados”, mas simplesmente do mundo inteiro, como está na versão de J. N. Darby: “E ele é a propiciação por nossos pecados, mas não apenas pelos nossos, mas por todo o mundo”.]



domingo, 24 de setembro de 2017

O Evangelho



A palavra "evangelho" significa "boas novas" ou "notícias alegres", e é usada na Escritura para indicar que Deus tem boas notícias para o homem. Esse fato mostra que Deus está interessado na bênção do homem.

As Escrituras registram que houve diferentes mensagens do evangelho que foram pregadas aos homens em diferentes momentos da história, prometendo diferentes formas de bênção vindas de Deus. Unir esses chamados do evangelho em uma única mensagem é um erro e não leva em conta os caminhos dispensacionais de Deus.

As boas notícias de Deus foram anunciadas pela primeira vez a Adão e Eva no jardim do Éden. Elas prometiam que Satanás seria esmagado sob o julgamento de Deus (Gên 3:15, Romanos 16:20 e Ap 20:10), mas ela não foi especificamente chamada de evangelho. As boas novas foram anunciadas a Noé, pelas quais ele foi levado a construir uma arca para salvar a sua casa (Heb 11:7), embora, novamente, isso não tenha sido chamado de evangelho.

"O evangelho" foi pregado a Abraão, prometendo a bênção por ter sido considerado justo por Deus (Gálatas 3:8).

"O evangelho" foi pregado à nação de Israel, prometendo-lhe a libertação da escravidão no Egito e uma herança material na terra de Canaã (Êxodo 3:7-8, Números 13:26, Hebreus 4:2-3).

"O evangelho do reino" foi pregado à nação de Israel por João Batista (Mateus 3), pelo Senhor Jesus Cristo (Mateus 4) e pelos apóstolos (Mateus 10), prometendo que, se aceitassem Cristo como seu Messias, Ele estabeleceria o reino de uma maneira literal como retratada pelos profetas do Antigo Testamento. Mas os judeus rejeitaram o Senhor Jesus Cristo (Isaías 49:4; 50:5-7; 53:1-4; Miquéias 5:2), e consequentemente, essa oferta do evangelho do reino foi adiada (Miquéias 5:3; Mateus 12:14-21, Romanos 11:7-11). Ele será pregado novamente em um dia futuro (na 70ª semana de Daniel 9:27) pelo remanescente judaico fiel (Salmos 95-96 e Mateus 24:14). Muitos naquele dia serão abençoados por ele – incluindo os gentios (Isaías 55-56, Apocalipse 9:7). Eles participarão das bênçãos terrenas do reino que este evangelho promete.

O evangelho pregado nestes tempos Cristãos tem pelo menos sete títulos, transmitindo vários aspectos da mensagem das boas novas de Deus ao mundo de hoje. Esse evangelho anuncia que Deus em graça desceu ao homem na Pessoa de Cristo, e por meio de Seu sofrimento expiatório, de Sua morte e do Seu sangue derramado garantiu salvação aos pecadores que creem. E mais do que isso, anuncia que Deus ressuscitou a Cristo de entre os mortos e O assentou à Sua mão direita nas alturas, e o crente agora tem um lugar de aceitação nEle, em Quem estão todas as suas bênçãos. A pessoa que crê nessa grande mensagem é selada com o Espírito Santo (Efésios 1:13) e é feita parte da Igreja de Deus, o corpo e a noiva de Cristo (Efésios 1:22-23). Assim, esse evangelho é um chamado celestial de crentes para um destino celestial com Cristo (1 Coríntios 15:48-49, 2 Coríntios 5:1, Ef 1:3, 2:6, 6:12, Fil. 3:20; Col 1:5; 3:1-2; Heb. 3:1; 8:1-2; 9:11; 10:19-21; 11:16; 12:22; 13:14; 1 Pedro 1:4). Todos os que creem nesse evangelho viverão e reinarão com Cristo nos céus sobre a Terra no Milênio (Ap 21:9-22:5).
  • Quando ele é chamado "o Evangelho da Graça de Deus" (Atos 20:24), está se referindo à vinda de Cristo desde os céus em graça para morrer pelos pecadores.
  • Quando se chama "o Evangelho da Glória de Deus" (1 Tim. 1:11), está enfatizando a ascensão de Cristo ao alto em glória e a aceitação do crente nEle ali diante de Deus. (Paulo chamou esse aspecto de "meu Evangelho" - Romanos 2:16, 16:25, 2 Timóteo 2:8).
  • Quando é chamado "o Evangelho de Deus" (Rom 1:1), está apontando para a fonte das boas novas – o próprio Deus que desenhou o plano da salvação.
  • Quando se chama "o Evangelho de Seu Filho" (Romanos 1:9), está se referindo ao amor de Deus que O levou a dar o mais precioso Objeto de Seu coração para salvar os pecadores.
  • Quando se chama "o Evangelho de Cristo" (Fil. 1:27), está se referindo ao grande tema do Evangelho – Cristo e Sua glória.
  • Quando é chamado "o Evangelho da Paz" (Efésios 6:15), está se referindo à paz prática que nossos pés pregam (isto é, nossas vidas) enquanto caminhamos por este mundo conturbado.
  • Quando se chama "o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo" (2 Tessalonicenses 1:8), não está somente enfatizando a salvação de nossas almas, mas também a salvação de nossas vidas, tornando Cristo o Senhor em nossas vidas de forma prática.

Esse evangelho exclusivamente Cristão não deve ser confundido com o evangelho do reino. Como mencionado, o destino daqueles que creem no evangelho da graça e glória de Deus é viver e reinar com Cristo nos céus em Seu reino milenial. Enquanto que o destino daqueles que creem no evangelho do reino é viver na Terra no reino milenial de Cristo (Apocalipse 7). Essas são duas esferas diferentes de bênção – celestiais e terrestres. Essas distintas mensagens não estão indo ao mundo ao mesmo tempo, pois haveria confusão se fossem pregadas juntas.

"O evangelho eterno" (Apocalipse 14:6-7) são as boas novas que a própria criação prega ao longo dos séculos. Elas dão testemunho da glória de Deus (Salmo 19:1), da sabedoria e inteligência de Deus (Salmo 147:4-5), do poder de Deus (Rom 1:19-20) e da bondade de Deus (Atos 14:17). Mesmo que pessoas nunca entrem em contato com o evangelho da graça de Deus, que nos fala da obra consumada de Cristo, elas ainda podem ser alcançadas e abençoadas por Deus ao crerem nesse testemunho na criação. A prova de sua fé no Deus Criador será vista neles ao temerem a Deus e praticarem a justiça. Como resultado, eles serão "aceitos"(trad. Brasileira) em Cristo (Atos 10:35). Se eles morrerem na sua fé simples, irão para o céu, mas eles não farão parte da Igreja de Deus, porque para isso é necessário o selo do Espírito, que só ocorre quando alguém crê na obra consumada de Cristo (Efésios 1:13).

Bruce Anstey







sábado, 15 de julho de 2017

Não Consigo Fugir de Deus



Tom era um rapaz que trabalhava como chauffeur (motorista). Ele ganhava um bom salário, e seu chefe era bom para ele. Mas havia uma coisa em sua vida que o incomoda e irritava. Ele tinha uma mãe carinhosa e piedosa que vivia em uma cidade próxima, e ela o visitava com frequência. Mas quando ela vinha, ela sempre falava para ele sobre Cristo e sua necessidade de salvação.

“Mãe”, ele finalmente falou, “não aguento mais isto. Se você não parar de tocar nesse assunto, vou desistir do meu emprego e me mudar para longe, para onde você não possa me visitar tão facilmente.”

“Tom”, disse sua mãe preocupada, “enquanto eu puder falar, não vou parar de te dizer sobre sua necessidade do Salvador, e eu sempre estarei orando por você.”

Rota de Escape

Tom foi adiante com sua ameaça de se mudar. Ele escreveu a um amigo que vivia em uma cidade a muitos quilômetros ao norte e pediu que o ajudasse a procurar um emprego para ele naquela região do país. Ele sabia que sua mãe não podia segui-lo até lá, e embora estivesse sentisse muito por ter de deixar o bom emprego que tinha, disse para si mesmo: “Vale a pena ter alguma paz e tranquilidade.”

Seu amigo lhe achou outro emprego como chauffeur, e Tom contou à sua mãe que seria um alívio ficar longe de suas constantes pregações em sua cabeça. Mas ainda que Tom estivesse se mudando longe o suficiente de modo que sua mãe não pudesse visitá-lo sempre, ele nunca estaria além do alcance de suas orações.

Perseguido

No primeiro dia de seu novo emprego, Tom tinha que levar o Sr. Wells, seu novo patrão, para fora da cidade. Mas em vez de se sentar no banco de trás como era de costume, o Sr. Wells se sentou no banco da frente, ao lado de seu novo chauffeur.

“Ele quer ver como eu dirijo”, pensou Tom. Eles mal começaram a viagem quando o Sr. Wells se virou para ele e começou a falar. “Me diga, você está salvo?”, perguntou o Sr. Wells. Se uma voz tivesse vindo direto do céu, não teria surpreendido Tom muito mais que aquilo. Ele ficou profundamente abalado!

“Deus me seguiu todo o caminho até aqui no norte!”, gritou ele por dentro. “Eu me distanciei da minha mãe pregadora, mas parece que não consigo me afastar de Deus!”. Tom queria se esconder em algum lugar… muito longe dali. Ele não podia responder ao Sr. Wells, e mal podia dirigir por estar tremendo.

Seu patrão cristão continuou lhe falando de Cristo, e mais uma vez Tom ouviu a mesma mensagem do evangelho que sua querida mãe tinha lhe contado tantas vezes. Mas desta vez, parecia ter um novo significado – Deus de fato o havia seguido e estava falando com ele, e a mensagem começou a lhe tocar. Mas não parecia ser uma mensagem de boas notícias para Tom; era uma mensagem de terror e condenação. Ele sabia que era Cristo, o Filho de Deus, que tinha sido desprezado e rejeitado. Ele entendeu pela primeira vez que era um pecador perdido. Antes de chegarem ao fim da viagem, a terrível culpa e o medo que o tomaram fizeram Tom ficar fisicamente doente – doente demais para continuar o seu trabalho de chauffeur, e tão doente que teve que ficar de cama.

Perdão

Por alguns dias ele não podia nem sair da cama. Mas o Sr. Wells veio vê-lo, ler a Palavra de Deus e orar. Logo o amor e a graça do Salvador que ele tinha rejeitado começou a penetrar em seu coração, substituindo o terror e condenação que lhe vinha oprimindo.

Tom viu que havia misericórdia para uma pessoa que tinha ridicularizado e desprezado o próprio Filho de Deus e Sua amável oferta de perdão. Ele viu que o sangue de Cristo é a resposta diante de Deus até mesmo para um pecador rebelde como ele, e agora ele acreditou em seu coração na verdade dessas maravilhosas palavras: “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). Ele viu que o Senhor Jesus tinha levado sobre Si a punição pelos seus pecados no Calvário e que, embora ele houvesse endurecido seu coração contra Deus e contra sua mãe, ele estava agora perdoado – sem pecado ou mancha perante a vista de um Deus amoroso que deu Seu próprio Filho para que os pecadores pudessem ser salvos.

A primeira carta que Tom escreveu à sua mãe foi para lhe contar sobre as maravilhosas notícias: “Deus me seguiu todo o caminho até aqui no norte e salvou minha alma! Suas orações foram respondidas.”

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Efésios 2:8)

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28)


Fonte: BIBLE TRUTH PUBLISHERS



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Terremoto



 

 

Assim que o relógio bateu à meia-noite, deu-se início a mais um dia promissor para a bela cidade de San Francisco. Aquele fatídico dia se abriu sobre a cidade, silencioso e pacífico, enquanto a maioria dos seus moradores dormiam.


Estava se aproximando aquela hora da manhã silenciosa, logo antes do acordar de uma grande cidade para um novo dia. De repente, a terra se ergue e treme, e grandes construções de concreto começam a balançar para frente e para trás. Com gritos assustados, cada pessoa pula da cama e corre para a rua. O tremor aumenta e se torna violento, e as pessoas correm em pânico. Gritos e choros perfuram a escuridão da madrugada, juntamente com o estampido de paredes a cair e madeiras a rachar. Por três minutos, há um barulho ensurdecedor enquanto estrutura após estrutura desmorona. Magnificando o horror da cena, o fogo se alastra, e por quatro dias queima fora de controle.


Milhares de pessoas morreram; 300.000 ficaram subitamente sem teto; um valor de $250.000.000,00 em propriedades foi destruído. Que trágico! Que devastante!


Mas ouça a história de um dia ainda mais memorável e de uma tragédia muito pior, que aconteceu por volta do ano 33 d.C. Um homem julgado por falsos crimes e uma preconceituosa multidão o declarando culpado. Seus acusadores persuadiram o governador a renunciar ao seu poder de perdoar e a sentenciar aquele homem à morte por crucificação. A multidão se enfurecia ainda mais sobre este homem e Ele pacientemente carregou Sua cruz até a colina onde Ele seria “levantado” para que todos pudessem ver. Naquela colina, eles O crucificaram. Um título foi posto sobre Sua cabeça coroada de espinhos. Lia-se: “ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.”


“Eles O crucificaram… e sentados, ficaram a observá-Lo… Havia lá também dois ladrões crucificados com Ele, um à Sua direita, e outra à Sua esquerda. E aqueles que passavam por ali O insultavam, meneando suas cabeças e dizendo: ‘Se és o Filho de Deus, desça da cruz’. Da mesma maneira também os líderes religiosos caçoavam dEle, juntamente com os escribas e anciãos, dizendo: ‘Ele salvou a outros, mas a Si mesmo não pode salvar’.


“Desde a hora sexta até a hora nona houve escuridão sobre toda a terra… Depois disso, Jesus, sabendo que agora tudo havia sido cumprido, disse: ‘Está consumado’. E, inclinando Sua cabeça, entregou o espírito… O sol se escureceu… e o véu do templo se rasgou em dois, de cima a baixo… A TERRA TREMEU, e as rochas se partiram. Mas um dos soldados, com uma lança, feriu Seu lado, e dali saiu sangue e água” (leia Mateus 27, Marcos 15, Lucas 23, João 19)


Foi um terrível e injusto ato da parte daqueles que crucificaram Jesus Cristo, o Filho de Deus. Mas o derramamento de Seu sangue na cruz naquele dia é a base na qual Ele é capaz de oferecer a você, hoje mesmo, a salvação dos seus pecados e a certeza de que você estará com Ele no Céu por toda a eternidade. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, … mas com o precioso sangue de Cristo” (1 Pedro 1:18-19). Você alguma vez realmente já considerou o fato de que o Filho de Deus deu Sua vida para que você possa permanecer em paz garantida na presença de um Deus santo?


Você pode dizer: “Não quero pensar sobre a vida após a morte agora. Estou muito ocupado. Vou pensar sobre isto mais tarde quando eu tiver mais tempo.” Mas, espere aí… Quantos milhões de dólares teriam pago algumas daquelas vítimas do terremoto se apenas pudessem ter mais um ano, mais um dia ou mais uma hora de vida? Mas não, a hora chegou, e num instante eles passaram para a eternidade. A saúde deles os ajudou? Não! Todas as suas possessões, dinheiro e negócios foram transformados num monte de ruínas. Verdadeiramente: “o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (1 João 2:17)


Não ignore a certeza do juízo vindouro e das realidades da eternidade! Pondere estas sérias questões: Seus pecados estão perdoados? Você está salvo para uma eternidade no Céu?


Você pode responder: “Estou fazendo o melhor que posso; espero chegar ao Céu baseado na minha vida religiosa e na misericórdia de Deus”. No entanto, a Bíblia afirma o oposto: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16) “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Romanos 10:9). Deus não pede pra você fazer coisa alguma para receber a salvação. Esta é oferecida a você por Sua amável bondade, e Ele não te pede nada além de crer pela fé. A obra já foi realizada. “Assim importa que o Filho do homem seja levantado [na cruz]; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:14-15)


Fonte: BIBLE TRUTH PUBLISHERS




O Beijo do Pai



 

 

Aconteceu perto de uma cidade pequena, onde dois garotos pequenos estavam pescando no rio. Acidentalmente, ambos caíram na água. Um jovem rapaz que estava pescando nas redondezas mergulhou atrás deles. Ele não era muito bom nadador, mas conseguiu trazer ambos os garotos seguros para a beira do rio.


Logo ele se encontrou em dificuldades. Sobrecarregado com a roupa encharcada e enfraquecido por seus esforços para salvar os dois garotos, a íngreme e escorregadia margem do rio foi demais para ele. Quanto mais lutava, pior ficava, e finalmente ele se deixou afundar na água e se afogou.


As trágicas notícias logo chegaram a seu pai e sua mãe que, obviamente, ficaram chocados. Seu irmão mais novo também ficou terrivelmente triste. Quando ele ouviu que os garotos, que eram seus amigos, foram salvos, ele ficou feliz por isso, porém aquilo não lançava fora a perda de seu irmão.


Alguns dias depois, os dois garotos seguiam de perto o caixão enquanto era carregado para a cova no cemitério. Após o funeral, o pai do bravo rapaz que acabou de ser sepultado se dirigiu aos dois tristes garotos. Inclinando-se, beijou a cada um e orou a Deus para que os abençoasse.


No mesmo funeral estava um homem cristão que iria pregar o evangelho naquela mesma tarde. Em pé diante da plateia, ele disse: “Hoje vi algo que nunca havia visto antes. Um pai que beijou dois garotos que haviam causado a morte de seu filho.”


Então ele lhes contou sobre o funeral. “E,” disse ele, “isto é o que Deus, em seu grande amor, está fazendo agora – beijando qualquer um que se achegue a Ele crendo no Senhor Jesus Cristo, mesmo que eles tenham sido a causa da morte de Seu Filho.”


Isto causou uma forte impressão em muitos. Um homem na plateia, que era conhecido por ser um transgressor da lei, foi ter com o pregador após a reunião e perguntou: “Deus trata todas as pessoas arrependidas desse jeito?”


“Sim,” respondeu o pregador. “Se eles forem a Ele pela fé, crendo em Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, receberão perdão, paz e bênção.”


O homem respondeu: “Então irei a Ele agora mesmo!”


Que Deus permita que sua decisão seja a mesma. Como resultado, você receberá o perdão pelos seus pecados, paz de alma, e a benção do beijo do Pai.


“Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.” (Romanos 4:7)


“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 5:1)


“Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.” (Salmos 34:8)


Fonte: BIBLE TRUTH PUBLISHERS